Os frutos de uma árvore ruim

Desacredito em praticamente tudo que venha de Michel Temer, em especial na área econômica.

O discurso econômico tão bem polido por Henrique Meirelles, de rigor fiscal e controle de gastos, nada mais é do que isso mesmo, discurso.

Pior: está escondendo um pacote de maldades e benevolência com grupos específicos que beira à negociata.

Privatização, desde que bem explicada e justificada, faz parte de qualquer gestão responsável.

Assim como está sendo feita, no galope, sem qualquer discussão, é um prato cheio para golpes bilionários.

Dois exemplos: Infraero e loterias. São duas fontes de recursos, superavitárias, que em princípio não teriam necessidade de ser vendidas.

Se a justificativa do governo é fazer caixa para equilibrar as contas, essa é uma forma absolutamente desonesta de gestão. Para resolver seu problema imediato, a União vende o que tem mesmo empresas rentáveis e no futuro quem vai pagar será a população. Isso porque se vende uma fonte de rentabilidade, o que significa que esse dinheiro deixará de entrar nos cofres do governo no futuro. E para sempre.

Só a Infraero teve superávit de cerca de R$ 160 milhões este ano.

No caso das loterias, uma parcela considerável da arrecadação é redistribuída para áreas sociais. Com as regras que devem ser adotadas na privatização, essa parcela sofrerá uma redução drástica.

Novamente, para levantar dinheiro o governo vende um negócio superavitário e sacrifica a arrecadação futura.

Difícil dizer qual seria o ganho da sociedade com a privatização dessas duas empresas.

Fácil dizer quem ganharia com essas vendas, que remetem ao programa de privatização de FHC, iniciado pela Companhia Siderúrgica Nacional, à época um exemplo de gestão e lucratividade.

Só se justifica na cartilha dos neoliberais, que bebem na mesma fonte maniqueísta que alimenta os esquerdistas de carteirinha. E também, claro, na agenda dos fazedores de negociata, especialmente daqueles com pouco tempo de poder pela frente.

A liberação de áreas para mineração por grupos estrangeiros na Amazônia é outro capítulo nessa história. Tudo nessa questão sugere se tratar de mais um caso que deveria ser investigado pelo Ministério Público Federal.

Novamente, o problema não é mineração naquela região em si, mas a forma como foi feita liberação. Os recursos podem ser explorados, mas através de um processo que seja transparente e discutido com a sociedade.

Temer chegou à Presidência graças ao que os petistas insistem em chamar de golpe.

Temer havia chegado à vice-presidência graças à sua coligação histórica com o PT.

E, agora, graças a esses dois pilares da política brasileira, sobra para nós todos uma combinação maldita capaz de acabar de matar um país que em poucos anos saiu da condição de bombado para se tornar moribundo.

Um governo que, seguindo a cartilha de Meirelles, só consegue vislumbrar saídas com a venda de ativos e riquezas e com o aumento de impostos, num país fragilizado pela crise e minado pelo desemprego, é tudo menos um governo de verdade.

Por essas e por outras tantas que desacredito em Temer.

turma macabra

 

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