Ninguém merece esses dois

dupla invencívelA por ora apenas verborrágica guerra da Coreia do Norte já conseguiu o feito de ser o embate entre duas figuras que deverão entrar para a História como dois grandes, belicosos e perigosos imbecis. Dois egos imensamente maiores que seus respectivos cérebros.

Ambos se parecem demais. E guardam como característica indelével a incapacidade de autocrítica e a prática de aterrorizar os assessores mais próximos, que jamais ousam criticá-los.

Os resultados são emblemáticos.

Trump se acha lindo.

Kim Jong-un se considera um popstar carismático.

Nas aparições mais recentes, o terceiro dono da monarquia comunista da Coreia do Norte aparece ostentando uma irritante risadinha, uma meia gargalhada débil que usa em qualquer situação.

Está lançando mísseis, ele ri.

Está visitando tropas, gargalha.

Está andando por campos de arroz, arreganha os dentes.

Sempre com seus fotógrafos oficiais, que se perderem o reluzir daqueles dentes lindos certamente vão mais cedo beijar a mão do São Pedro asiático ou seu equivalente.

E os agregados, militares ou civis, que estiverem junto devem sorrir em harmonia com o líder para que a imagem fique completa.

Dizem que um dos principais generais do regime norte-coreano foi executado por ordem de Kim Jon-un por não ter, segundo ele, chorado como deveria no funeral do seu pai, que fora o segundo dono da monarquia comunista do país.

Trump não gargalha, ele faz biquinho.

Imagino um assessor tendo honra de informá-lo que esse gesto é patético e desrespeitoso com o resto do mundo…

A cúpula do staff da Casa Branca já foi pelos ares, por motivos bem mais sérios que esse. Mas teria ido antes se alguém tivesse tal coragem.

O sorriso do norte-coreano e a estupidez do norte-americano não teriam a menor importância se ambos não tivessem poderio atômico em suas mãos.

Mas ambos têm, embora em proporções diferentes, e podem provocar a morte de milhões de pessoas bem rapidinho.

As personalidades com egos exacerbados são sempre muito perigosas.

É por isso que transformar figuras políticas em líderes acima de qualquer questionamento é um passo para o fracasso.

Elevá-los em ídolos, então, é desastre na certa.

Todos devem ser analisados, vigiados, questionados e julgados para, quando o merecerem, serem condenados e punidos.

Kim Jong-un sorri para os pobres coitados dos norte-coreanos, um povo manipulado, aterrorizado e censurado que vive sob ameaça. É certo que o ditadorzinho monstruoso escolhe cada fotografia sua que será distribuída pela agência oficial do regime, para que todos naquele país acreditem na mensagem que ele quer passar – seja lá qual for.

Trump faz beicinho para o mundo. E repete quase que diariamente sua mensagem de superioridade tão artificial quando a cabeleira alaranjada, que exibe sobre a cabeça ungida de um líder de direita que faz sucesso nos negócios e no showbizz. Nunca foi um líder e nem será.

Esses dois se merecem.

Ninguém merece esses dois.

E tem quem, por aqui, tem coragem de defender a ideologia do primeiro e a sanidade do segundo.

 

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