Ocupações, fundo falso

Protestar é um direito do cidadão e um instrumento legítimo dentro de uma sociedade democrática. Nem por isso, qualquer forma de protesto tem sua legitimidade assegurada. A essência de uma manifestação deve ser sempre o seu fato motivador. Quando há um motivo real – e há muitos num país como o Brasil –, o protesto é justo.

Claro que há sempre uma margem larga quando se busca definir o que seria um motivo real, mas dá pra desfilar alguns: a baixa qualidade do atendimento público de saúde, a perda de milhares de empregos, a corrupção, as absurdas regalias da classe política, a baixa qualidade da educação pública. Também quando há atraso de salários, perda de direitos, abuso na carga horária de trabalho e outras razões na esfera trabalhista nada mais justo de protestar.

A ocupação das escolas em todo do Paraná está fora dessa linha de razoabilidade. Estima-se que 280 mil alunos estejam sem aulas no Paraná por conta das ocupações, um prejuízo enorme para a população. E qual a razão do protesto dos estudantes? Ninguém do movimento conseguiu responder a essa pergunta de forma convincente.

Seus líderes dizem que é um movimento contra a reforma do ensino médio, em gestação pelo Ministério da Educação. Pois a grande maioria dos alunos que acampam nos colégios não sabe absolutamente nada do projeto. Também alegam que são contra a PEC do teto de gastos da União, que também desconhecem.

A verdade é que esse movimento não nasceu no meio estudantil, mas sim no conturbado universo político do Estado. À frente das ocupações está União Paranaense de Estudantes Secundaristas (Upes), ligada ao PCdoB e ao PT. E não é de hoje que o Paraná se transformou num campo de manobras para esses partidos.

“CEP, o maior do Paraná, é a 30a escola ocupada contra Temer e Richa.” Essa é uma manchete do Brasil 247, blog que até a saída de Dilma era fartamente abastecido com dinheiro do governo e estatais. Refere-se ao Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba. O blog cumpria o papel de tropa de choque, defendendo Dilma e atacando a Operação Lava Jato. Esse vínculo não é incidental. Agora, Upes e blogueiros ex-chapa branca tentam se sustentar em manifestações como essas, cumprindo o que a ex-presidente – aquela que nunca deveria ter sido presidente – prometeu quando foi apeada do poder, fazer oposição ferrenha ao governo Temer.

Infelizmente, quem paga caro por esse movimento é quem mais deveria ser respeitado no processo, os estudantes. Perdem as aulas e seus conteúdos, perdem um tempo valioso na idade escolar e provavelmente as férias com a família.

Fechar escolas é um ato extremo, que só se justifica quando há um motivo a altura.

Não é o caso das ocupações no Paraná.

 

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